Histórico do Colégio Campos Salles

Pesquisa e texto
Edna Miguita

EE Campos Salles, inicialmente denominada Grupo Escolar São Joaquim, encontra-se no conjunto tipológico do Grupo Escolar de Guaratinguetá, juntamente com outros de Jahú, Lapa e Sant’Anna. O autor do projeto do edifício, situado na Rua São Joaquim, nº288 foi o arquiteto Giovanni Battista Bianchi, conhecido também como João Bianchi. O Grupo Escolar São Joaquim, criado em 20 de Julho de 1914 e inaugurado em 7 de Agosto de 1914, funcionava em dois períodos com 24 classes e capacidade para 540 alunos. Matricularam-se na primeira turma cerca de 566 alunos, obtendo uma freqüência média de 526. O diretor, à época, foi o normalista José A. de Azevedo Antunes. Esse desdobramento de horário em dois períodos aconteceu em 1910 com o objetivo de ampliar o atendimento à população em idade escolar. O período da manhã, das 8h às 12h, era freqüentado pelos meninos, enquanto que as meninas estudavam das 12h30 às 16h30. Segundo o Anuário de Ensino de 1917, “Na Capital, os Grupos Escolares de S. Joaquim e ‘Campos Salles’ mantiveram o antigo regime, isto é, as seções masculinas desses grupos continuaram a funcionar no período da manhã, das 8 às 12 horas, e a seção feminina, com o número de classes correspondentes á primeira, de 12h30 ás 16h30”.

No ano seguinte à inauguração do Grupo Escolar São Joaquim verificou-se um aumento considerável na procura por vagas. Neste ano, a escola matriculou cerca de 1.219 alunos e obteve uma freqüência média de 638 alunos. Apesar desse crescimento, uma constante em todas as escolas públicas, “o recenseamento escolar de 1918 mostra que menos da metade das 480.164 crianças entre 7 e 12 anos freqüentavam as escolas primárias (públicas e particulares) nos 196 municípios paulistas. Frente a isso, indaga o diretor da Instrução: ‘Que fizeram as restantes crianças em número de 247.543? Nada. Umas vagaram pelas ruas, outras ficaram em casa, num perfeito ócio, outras foram abusiva e criminosamente introduzidas nas fábricas e outras ainda acompanharam os pais nos serviços da lavoura”.

No final do século XIX, São Paulo conheceu seu maior impulso de crescimento, em consequência da privilegiada situação econômica advinda da atividade cafeeira. O município, que possuía 64.934 habitantes em 1890, quase quadruplicou a sua população, alcançando 239.820 habitantes em 1900. Outro fator importante que contribuiu para a nova configuração da cidade de São Paulo foi a chegada de imigrantes. Em 1934, a população da capital atingia cerca de 580.000 habitantes, sendo que aproximadamente 40.000 concentravam-se no bairro da Liberdade. Este crescimento vertiginoso foi acompanhado pelo alargamento de medidas na área educacional.

Em defesa da escola pública, obrigatória, leiga e gratuita, educadores lançaram o Manifesto de 1932; nos anos de 1940 foram aprovadas as Leis Orgânicas do Ensino Técnico; em 1961 instituiu-se a Lei nº 4.024, a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB. A unificação do primário e ginásio, que passou a denominar-se 1º grau, e a introdução da profissionalização compulsória no 2º grau deu-se com a promulgação da Lei nº 5.692, de 1971. Atualmente, está em vigor a LDB de 1996 que introduziu alterações significativas na educação básica. Não obstante todas as mudanças ocorridas, a situação do ensino continuou precária. Na década de 1980, por exemplo, constata-se um alto índice de evasão e repetência. No início da década de 1990, o município de São Paulo contava com uma população aproximada de 9,5 milhões de habitantes, representando pouco mais de 1/3 do total do Estado de São Paulo. Essa explosão demográfica provocou significativas alterações na paisagem urbana da cidade de São Paulo.

Resistindo às mudanças, alguns edifícios escolares do final do século XIX e início do XX permaneceram praticamente inalterados. Em 1986, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado - Condephaat – deliberou a abertura do processo de estudo de tombamento de escolas estaduais da Primeira República. Atualmente, considerando o alto valor histórico na evolução educacional do Estado de São Paulo, 123 escolas foram tombadas pelo Conselho em sua sessão ordinária de 29 de Julho de 2002, Ata nº 125318. Entre as listadas encontra-se a EE Campos Salles.

Giovanni Battista Bianchi, o autor do projeto

Em 1911, Giovanni Battista Bianchi (1885-1942) chegou em São Paulo, procedente da Itália. Formado em arquitetura na Escola de Belas Artes de Milão, freqüentou o estúdio de Giuseppe Sommaruga, considerado “um dos mais famosos autores do estilo floreal e um dos mais laboriosos arquitetos milaneses daqueles anos. Poucos meses após ter desembarcado, Bianchi foi empossado pela Diretoria de Obras Públicas, em cujos escritórios tantos italianos já se tinham revezado”. Além de projetos de escolas, encontram-se no conjunto de suas obras o Hospital Humberto I e as residências e fábricas da família Crespi e Matarazzo. Bianchi elaborou inicialmente três projetos de escolas totalmente diferentes entre si: Liberdade [Grupo Escolar São Joaquim – Bairro da Liberdade], Lapa, Guaratinguetá e Jaú. Na escola da Liberdade, a primeira a ser projetada, utilizou a mesma linguagem de alguns edifícios elaborados na Itália, de acordo com os princípios do estilo Liberty ou floreal.


Histórico do Colégio Campos SallesVista externa na década de 1980. Composição clássica com alguns elementos art-noveau e faixa de pedras rústicas.


Histórico do Colégio Campos SallesEscola de Primeiras Letras - 1877. Construída pelo governo imperial para prover de escolas públicas a Província de São Paulo.


Histórico do Colégio Campos Salles Grupo Escolar São Joaquim, projeto (fachada) original de Giovanni Battista Bianchi.


Histórico do Colégio Campos Salles EE Campos Salles (data desconhecida)


Histórico do Colégio Campos Salles Colégio Culto à Ciência de Campinas - 1874. Fruto de iniciativa particular, a escola foi idealizada para receber todas as classes sociais. Em 1894 foi absorvida pela rede oficial de ensino.