O projeto de restauração da edificação

O edifício projetado por Biachi em 1911 com influência do estilo “Liberty” italiano permanecia quase íntegro até o incêndio de 1992. As janelas haviam sido substituídas por caixilhos basculantes de ferro, porém algumas portas originais ainda permaneciam. As paredes perimetrais (estruturais) que permanecem são de tijolos maciços com algumas aplicações de cantaria. As paredes divisórias eram de tijolos vazados importados assentes sobre perfis metálicos. Todos os ambientes possuíam cantos arredondados com chapas deploye e argamassa de cal. Sobraram os pisos de ladrilhos hidráulicos. Tudo o que era de madeira desapareceu: estruturas, pisos, forros e portas. Restaram também os pavilhões recentes nos fundos dos lotes construídos pelo FECE com telhados do tipo francês assentados em pilares cilíndricos de concreto aparente.

Nos fundos do Colégio Campos Salles foi construído em 1921 um novo edifício com planta em “U” que era interligado por meio de um passadiço coberto no eixo central das edificações. Essa nova edificação abrigou o Colégio Roosevelt e sofreu posteriormente alterações que desfiguraram a simetria de sua planta. No Mapa Sara Brasil de 1930 ainda permanecia interligado ao Campos Salles. Foi demolido pelo FECE para a construção do novo Colégio Roosevelt projetado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha. A partir daí o terreno do Colégio Campos Salles foi reduzido para as dimensões atuais e o córrego Lavapés que passava nos fundos do terreno foi canalizado. Partimos da recomendação do STCR de restaurar todas as paredes remanescentes com a recomposição da volumetria original (cobertura em telhas francesas) e das cores prospectadas nos revestimentos externos das fachadas. A tipologia arquitetônica será respeitada.

A proposta “recria” um passadiço de vidro até a divisa de fundo inspirado na antiga interligação que existiu entre o Colégio Campos Salles e a Escola Roosevelt. Internamente todos os pisos serão recompostos em concreto e apoiados sobre estrutura metálica para garantir um travamento estrutural das paredes remanescentes além de permitir uma climatização ideal nos ambientes do museu. A estrutura da cobertura também será metálica. A alteração substantiva se dará no porão, que será escavado para aumentar o pé-direito sob o prédio existente, fato que permitirá a construção de um auditório enterrado nos fundos do lote, instalações da reserva técnica do museu, um atelier de restauração de obras de arte e espaços para cursos e oficinas de arte.

 
O projeto de restauração da edificaçãoIlustrações do Arquiteto Victor Hugo Mori


O projeto de restauração da edificaçãoÁREAS INTERNAS: SITUAÇÃO PROPOSTA


O projeto de restauração da edificaçãoÁREAS INTERNAS: SITUAÇÃO PROPOSTA