Manabu Mabe

Nasceu em 14 de setembro de 1924, na localidade de Takara, Vila de Shiranui, Município de Udo, Província de Kumamoto, atualmente cidade de Shiranui. A familia Mabe, tradicionalmente, era dona de Hospedaria destinada às pessoas que vinham, de navio, das localidades de Shimabara e Misumi. O pai se chamava Soichi Mabe, e no Japão trabalhava inicialmente como ferroviário e posteriormente como barbeiro. A mãe chamava-se Haru. Ela era oriunda de uma tradicional familia de agricultores. A familia era composta de sete filhos, sendo Manabu o mais velho e em seguida Satoru, Michiko, Hitoko, Yoshiko e Sunao, estes dois últimos nascidos no Brasil, sendo criado junto também o primo Tetsuya, após o falecimento do seu pai. Manabu Mabe imigrou para o Brasil no ano de 1934, então com dez anos, a bordo do Navio La Plata Maru. Sua futura esposa Yoshino embarcou no Brasil no mesmo ano partindo de Niigata. Mabe desembarcou no Brasil, no Porto de Santos, em 02 de outubro de 1934, após 50 dias de viagem. Do porto de Santos, a família seguiu no trem da Ferrovia Noroeste com destino à Fazenda Sakamoto, que se localizava na colonia Elisio, em Birigui. A viagem de trem demorou cerca de dois dias. Permaneceu na fazenda Sakamoto por tres anos. Em 1937 transferiu-se para a região de Guararapes, ficando por mais dois anos. Em 1939 muda-se para a fazenda do Sr. Uchiyama, na Colônia União, em Lins. A partir de 1942, aos 18 anos, começou a trajetória de se tornar pintor. Pintava maças com crayons trazidos do Japão e paisagens com aquarelas. Tendo começado a pintar com tinta à óleo após encontrar um tubo em uma livraria da cidade. Começou pintando sobre papelão cópias de obras de Antonio Parreiras publicadas em calendários. A pintura ficava limitada aos domingos, feriados e dias de chuva, pois, nos outros dias havia a necessidade de se trabalhar no cafezal. Em 1947 conheceu Tomoo Handa em São Paulo, tendo colhido bons conselhos.

O Pai falece de câncer de estomago em 1949. Antes havia sido internado num hospital de São Paulo, para se submeter a uma cirurgia. No intervalo dos cuidados que lhe dispensava, praticava a pintura fazendo croquis. Nesta mesma época foi convidado a frequentar o Grupo Quinze, criado por alguns artistas entre eles, Handa, Takaoka,Tamaki e Kaminagai. A primeira participação foi no estudo de nu, mas quando chegou, o único lugar disponível era os pés da modelo deitada sob um ângulo visto de baixo. Era totalmente impossível de se produzir uma pintura nestas condições. Neste mesmo ano conhece o escritor Yasunari Kawabata e Yukio Mishima, apresentados por Sr. Toshihiko da Colônia Ideal, em Bauru.

Em 1950 conhece a sua esposa Sra. Yoshino, casa-se em 31 de Março de 1951, tendo três filhos, Joh , Ken e Yugo. A partír de 1950 inicia-se a sua carreira de pintor, tendo se mudado para São Paulo em 1957, fixando-se no bairro do Jabaquara, o qual até hoje está o seu ateliê. Em 1959 recebe o prêmio máximo em artes plásticas no Brasil, na V Bienal de São Paulo, o Prêmio de Melhor Pintor Nacional das mãos do então Presidente da Republica Sr. Juscelino Kubitschek. A partír de 1959, Mabe recebe diversos prêmios inclusive o Prêmio Braun, na I Bienal de Jovens de Paris. Infelizmente no ano de 1979, 29 de janeiro, após uma série de três exposições no Japão, retornariam ao Brasil via Los Angeles cerca de 63 obras das 100 obras expostas para o Brasil, mas um acidente que até hoje não se sabe o que realmente teria acontecido desapareceu no trajeto Narita - Los Angeles, os seis tripulantes também sumiram e não acharam quaisquer destroços do avião. As principais obras que obtiveram o prêmio de melhor pintor nacional na V Bienal de São Paulo, Premio Bienal de Jovens de Paris e os da Bienal de Veneza foram perdidas, além de expressivos trabalhos realizados no inicio da carreira. Mas apesar da enorme perda do próprio acervo e do acervo de vários colecionadores, Mabe entrou em um ritmo de trabalho para que a sua obra continuasse viva, segundo ele no depoimento na época do acidente: “Sorte que não foi o pintor que caiu.”, “Mas a perda dos meus quadros me faz pensar que eu tenho muito que fazer ainda, que pintar sempre que puder sentir alguma coisa diferente, um prazer, porque um quadro não é uma coisa que a gente faz um atrás do outro. Um quadro é um pouco da gente.”

Mabe participou durante anos da FIAC (Feira Internacional de Arte Contemporânea) em Paris e na ARCO na Espanha. Durante todo o tempo Mabe dividia a sua moradia oficial no Brasil com pelo menos duas viagens para Nova York, Paris e Tóquio, onde sempre produzia. No Japão ele realizou diversos obras importantes inclusive um, Boca de Pano, para o Teatro de Kumamoto medindo cerca de 9,00 mts por 18,0 mts realizado em seda. No Brasil foi construindo em Santos no Farol da Barra, através do IPHAN, um mosaico de sua obra medindo 3,00 mts por 5,00 mts que abriga a capela do forte. Mas infelizmente em 22 de setembro de 1997 falece em São Paulo.


Manabu Mabe, Yuji Tamaki, Yuba e Yoshiya TakaokaManabu Mabe, Yuji Tamaki, Yuba e Yoshiya Takaoka


Di Pretto, Manabu Mabe, Aldemir Martins e Kazuo WakabayashiDi Pretto, Manabu Mabe, Aldemir Martins e Kazuo Wakabayashi


Tomoo Handa, Jaime Maurício, Francisco Matarazzo, Manabu Mabe, Nakao e Teiti SuzukiTomoo Handa, Jaime Maurício, Francisco Matarazzo, Manabu Mabe, Nakao e Teiti Suzuki


Manabu Mabe recebendo prêmio de melhor pintor nacional pelo Presdente Juscelino Kubitschek em 1959Manabu Mabe recebendo prêmio de melhor pintor nacional pelo Presdente Juscelino Kubitschek em 1959